Informativo PorcelanaBrasil
n° 12 —  14/07/2006


Caros amigos e colaboradores,

- Desta vez, decidi mudar um pouco o meu tradicional agradecimento, e listar não apenas os novos colaboradores, mas sim todos aqueles que me ajudaram no intervalo entre os informativos, pois creio ser mais junto fazê-lo desta forma. Então, aqui vai o meu muito obrigado! para todos que me ajudaram no último mês:

— Enio José Aguiar - São Carlos - SP [link>>]
— Fabiano Fernandes - Santos - SP
— Jandira Antonieta da Silva - Santos - SP
— Jane Chiesse Zandonade - Barra Mansa - RJ [link>>]
— Lourival Franco - Petrópolis - RJ
— Lúcio Zandonadi - Rio de Janeiro - RJ
— Luiz Mott - Salvador - Bahia [link>>]
— Maria Bernadete da Silva - São Paulo - SP [link>>]
— Dozolina Pretto Zonta - Lajeado - RS
— Paulo Carvalho - Holambra II - Paranapanema - SP
— Raspini Maria de las Mercedes - Entre Rios - PR  (nova colaboradora!)
— Renato Alencar Dotta - Museu Barão de Mauá - Mauá - SP [link>>]
— Revista Retrô - São Paulo - SP [link>>]

Para todos os amigos e colaboradores do site, que têm me enviado uma quantidade tão grande de fotos e informações, ao ponto d'eu não estar nem conseguindo dar conta, também deixo aqui o meu muito obrigado!
  Quero nesta edição fazer um agradecimento especial ao Sr. Renato Alencar Dotta , Historiador do Museu Barão de Mauá, e à toda a equipe deste Museu, que me enviaram um rico material sobre a história da indústria de louça de cerâmica de uma das mais importantes cidades deste ramo, a cidade de Mauá.
Se nossa indústria e Centros de Memória e Museus tivessem este mesmo empenho e preocupação, certamente não haveria tantas lacunas e desinformação na história da porcelana e faiança no Brasil.

Novidades

- novas FOTOS de marcas e modelos!
-
www.porcelanabrasil.com.br/fabricas.htm
- www.porcelanabrasil.com.br/padroes.htm

Houve uma grande atualização no site, com mais de 200 novas fotos de marcas de fábrica e modelos de decoração, especialmente das marcas que estavam menos representadas, como Cerâmica Itaipava, Weiss, Fábrica de Louça Paulistana, Santo Eugênio, Cerqueira Leite, ItaBrasil, Nadir Figueiredo, Inter American, MBL, Zappi, entre outras. Divirtam-se!

  - Novas entradas na seção BIBLIOGRAFIA
- www.porcelanabrasil.com.br/biblio.htm

- PORTUGAL, Yolanda Marcondes. A Cerâmica na Numismática, Anais do Museu Histórico Nacional - Volume II. Rio de Janeiro, 1941

- PUNTSCHART, William. Memórias da Cidade. Centro de Referência da Memória e História de Mauá, Museu Barão de Mauá, Prefeitura Municipal de Mauá, Mauá, 2004

  - Novo artigo:

  • Nem tudo que vem de lá é "Porcellana Mauá" -  (originalmente
publicado no informativo n°9, agora revisto e ampliado. Este artigo também consta da edição atual da revista Retrô - julho/2006, n.10).
- Indústrias acrescentadas na seção Fábricas & Marcas: Cerâmica ItaBrasil, Cerqueira Leite
- www.porcelanabrasil.com.br/fabricas.htm
- Indústrias acrescentadas na seção Modelos & decoração: Cerâmica ItaBrasil, Cerqueira Leite
-
www.porcelanabrasil.com.br/padroes.htm

Perfil: Fábrica de Louças de Pó de Pedra Paulistana

A Fábrica de Louças de Pó de Pedra Paulistana, foi fundada em 1923 em Mauá - SP, pela firma Manetti, Pedotti & Cia, e funcionou até 1965. Tinha como sócios Rogério Manetti, José Pedotti e Luis Torighelli. Era popularmente conhecida como "Paulista" ou "Fabriquinha".

descanso para travessas ( l.6,5 x c.23 x h.2,5 cm), decoração pintada à mão com uso de molde vazado e aerógrafo - anterior a 1943; coleção site PorcelanaBrasil

Em 1937 possuía 4 pavilhões e 80 operários. No seu auge, chegou a produzir 20 mil peças por mês. Produzia louças domésticas, aparelhos de chá, café e bolo, adornos, peças para floricultura e avicultura, louça sanitária e lavatórios para hotéis.

vaso ( h.12 x d.9 cm), decoração pintada à mão - anterior a 1943; coleção Luiz Mott

É sempre muito confundida com a Porcellana Mauá, por apresentar em suas marcas a palavra MAUÁ grafada em destaque, mas em comum só tiveram o fato de funcionarem na mesma cidade, Mauá, que tem este nome em homenagem ao Barão de Mauá.

O Barão de Mauá, em 05/06/1861, através de procuração de José Ricardo Wright, compra duas fazendas nesta região: a CAGUASSU e a CAPOAVA, do Capitão João e de suas irmãs Escolástica Joaquina e Catharina Maria, passando a ser o maior proprietário local, embora morasse no Rio de Janeiro.

A foto ao lado mostra a região atualmente conhecida como "Tanque da Paulista", em referência ao piscinão natural surgido de um braço do Rio Tamanduateí, cujas águas eram utilizadas pela Fábrica de Louças Paulistana para misturar a massa que dava origem à louça. Observe as instalações e a chaminé da fábrica ao fundo. Durante o primeiro mandato do prefeito Ennio Brancalion (1955 a 1958), que foi o primeiro administrador de Mauá depois que a cidade foi emancipada, o piscinão foi aterrado.

A Fábrica Paulistana passou, entre 1926 e 1943, por tranformações na composição de seus sócios, o que gerou, além de mudanças de nomenclatura e status jurídico, a reestilização das marcas.

vaso, decoração pintada à mão com uso de carimbos e esponjado - posterior a 1943; coleção Lourival Franco

A Sigla "SPR" abaixo do sol no primeiro modelo de marca significa "São Paulo Railway", e indica que a produção desta fábrica era escoada através desta ferrovia.
 
 
marca do "sol"
(MP & Cia Ltda)
1926 a março/1937
   marca da "locomotiva"
(Companhia Cerâmica Mauá S.A.)

A partir de 1943 sua razão social foi alterada para Companhia Cerâmica Mauá S.A.. A locomotiva no segundo modelo de marca, adotada após a mudança de sócios e razão social, é uma referência à locomotiva "Baroneza".

vaso ( h.20 x d.12 cm), decoração com decalque - posterior a 1943; coleção Maria Bernadete da Silva
 
As primeiras ferrovias brasileiras foram implantadas pelos ingleses, que tinham por hábito batizar suas locomotivas com nomes de personalidades ou de regiões. Essa tradição repetiu-se no Brasil, tendo início com a locomotiva "Baroneza", primeira locomotiva a trafegar em solo brasileiro, na inauguração da Estrada de Ferro Mauá, em 30 de abril de 1854. Em 1 de maio se deu a primeira viagem para transporte de passageiros e cargas nesta linha. A locomotiva puxava seus vagões por um trajeto de 18 Km, entre a serra de Petrópolis e o Rio de Janeiro.


LOCOMOTIVA BARONEZA - Nº 1 - Locomotiva 2.2.2, tipo Single Driver, fabricada em Manchester, Inglaterra, em 1852, por William Fairbain & Sons. Atualmente, encontra-se preservada no Museu do Trem do Rio de Janeiro e é tombada pelo Instituto Histórico e Artístico Nacional - Iphan.

A locomotiva recebeu esse nome em homenagem à esposa do construtor desta que foi a primeira linha férrea brasileira, Irineu Evangelista de Souza, (1813-1889) natural de Arroio Grande, distrito de Jaragão, no Rio Grande do Sul, o Barão de Mauá, uma das mais importantes personalidades brasileiras do século XIX. A partir dessa estrada pioneira, proliferaram as ferrovias em diversas regiões do Brasil e as locomotivas a vapor.

Além do Imperador D. Pedro II e sua família e dos membros da Corte, compareceu ao ato de inauguração o Marquês do Paraná (Honório Hermeto Carneiro Leão), presidente do Conselho. A cerimônia começou às 11 horas. Após os discursos, precisamente às 13 horas e 27 minutos, a locomotiva "Baroneza" deu o sinal, todos embarcaram e, 23 minutos depois, chegavam à fazenda Fragoso, ponto terminal. Lá, o Marquês do Paraná conduziu Irineu Evangelista de Souza, responsável pela realização do passeio, à presença do Imperador, que o agraciou com o título de Barão de Mauá.
 

Juntamente com capitalistas ingleses, o Barão também participou da construção da segunda e terceira ferrovias, a Recife and São Francisco Railway Company e a Dom Pedro II, mais conhecida como Central do Brasil, além de ter conseguido os empréstimos necessários para construção da São Paulo Railway, a Santos-Jundiaí, a quinta inaugurada no Brasil (16 de fevereiro de 1867).
Esta linha férrea é referenciada na primeira marca da Fábrica Paulistana.  
colaboraram:
— José Antonio Penteado Vignoli - São Paulo - SP
— Lourival Franco - Petrópolis - RJ
— Lúcio Zandonadi - Rio de Janeiro - RJ
— Luiz Mott - Salvador - Bahia
— Maria Bernadete da Silva - São Paulo - SP

fontes:
— PILEGGI, Aristides. Cerâmica no Brasil e no Mundo, ed. Martins Fontes, São Paulo, 1958
PUNTSCHART, William. Memórias da Cidade. Centro de Referência da Memória e História de Mauá, Museu Barão de Mauá, Prefeitura Municipal de Mauá, Mauá, 2004
— fpm.org.br/raizes/anteriores/23_3.asp
www.arroiogrande.pop.com.br/baraodemaua.htm
www.nossosaopaulo.com.br/Reg_13/Reg13_Maua.htm
— www.flickr.com/photos/memoriaviva/178745429
— www.correios.com.br/selos/selos_postais/selos_2002/selos2002_29.cfm

E não se esqueçam!!

Sempre que puder, por favor enviem FOTOS de peças e conjuntos de louça brasileira de suas coleções, ou que estejam à venda, pois o site cresce muito com este tipo de colaboração. Não deixem de mandar também a foto da marca de fabricante gravada no fundo das peças, pois esta é uma informação crucial para a identificação e datação das peças.

Preferencialmente, mandem fotos de peças que estejam datadas, mas se você tiver peças que julgue importante, seja pela beleza, originalidade, marca desconhecida, marca pouco representada no site, ou qualquer outro critério que acredite válido, envie as fotos mesmo que as peças não sejam datadas.

Junto às fotos, envie seu nome, cidade e estado, para que eu posso dar o devido crédito das fotos. Se você estiver com as peças à venda, por favor me avise, pois será um prazer colocar um link ou email de contato, para caso alguém tenha interesse nas peças, possa falar com você.

Uma vez mais, solicito que vocês me ajudem a divulgar o site PorcelanaBrasil para seus amigos, parentes, clientes e fornecedores.

Qualquer dúvida, sugestão, crítica, colaboração ou mensagem é sempre muito bem vinda!

Obrigado sempre por sua atenção e participação!

Fábio Carvalho

[email protected]

www.porcelanabrasil.com.br