João Manso Pereira (1750? – 1820), químico auto-didata e professor de humanidades (latim, grego e hebraico), descobriu na Ilha do Governador um tipo de argila branca, rica em caulim, e entre 1790 e 1797, produziu diversas peças de louça e porcelana.
Pouco se sabe a respeito de sua origem e de sua família, senão que nasceu no Rio de Janeiro (segundo J. M. de Macedo), que estudou latim e mais disciplinas no Seminário da Lapa, que foi um grande estudioso das ciências naturais, e se dedicou especialmente à mineralogia e à química, donde lhe veio o apelido de o "Químico".
Deve ter sido o período que decorre de 1790 a 1797 o mais ativo do ilustre químico, porque são então frequentes as consultas á Junta de Comércio sobre o resultado de suas investigações, sendo a pedido da mesma dispensado do cargo de professor, enquanto durassem as suas experiências. Estas dizem respeito á fabricação de aguardente (semelhante à da Jamaica: rhum), vinho de açúcar, álcalis extraídos da bananeira, e cerâmica.
Descobriu em certa argila branca, na Ilha Grande (atual Ilha do Governador), que os índígenas chamam tabatinga o legítimo caolim e, entre as suas variedades, encontrou uma que os chineses chamam ho ache, muito preciosa e própria para obras de relevo, com a qual fabricou alguns camafeus, que diz ele, "alguma aceitação teem merecido ao público".
Diz J.M. de Macedo que "... alguns dos mais considerados habitantes do Rio de Janeiro se desvaneciam de possuir louça do país fabricada pelo celebre João Manso". E Moreira de Azevedo afirma que "... ao rei D. João VI ofertou (João Manso) um aparelho de porcelana e uma caixinha de sabão de barba que fabricara com a argila encontrada na ilha do Governador".
Nas consultas á Junta de Comércio, há referência somente aos camafeus, cadinhos e outros vasos "... fabricados com diferentes caolins e argilas transparentes e opacos..."
Segundo Yolanda Marcondes Portugal, muito certamente João Manso fabricou também aparelhos de mesa. Porém uma grande dificuldade se encontra na identificação dessa louça, porque até hoje não se conhece alguma que tenha marca. Já o mesmo não acontece com as medalhas e camafeus. A identificação destes é muito simples pelo nome de seu fabricante gravado no reverso.
Camafeus em biscuit (ao estilo Wedgwood) produzidos por João Manso Pereira, no Rio de Janeiro, com perfil de D. João VI (Esq.) e D. Carlota Joaquina (dir.). Ambos medem 3,5 x 3 cm. Biscuit branco sobre fundo azul. Acervo do Museu do Centro Cultural Banco do Brasil - Rio de Janeiro.[Fonte: BRANCANTE, Eldino da Fonseca. O Brasil e a Cerâmica
Antiga. Cia Lithografica Ypiranga, São Paulo, 1981.]
As medalhas de João Manso Pereira são raríssímas e se encontram em coleçôes portuguesas. (nota: atualmente há no acervo do Museu do Centro Cultural Banco do Brasil, no Rio de Janeiro, 2 exemplares de camafeus fabricados por J. M. Pereira, um de D. João VI, e outro de D. Carlota Joaquina, como os descritos mais à frente neste texto.)
Segundo Moreira de Azevedo, Mestre Valentim foi o responsável pelo design de dois aparelhos de porcelana fabricados por João Manso, os quais foram muito admirados em Lisboa. É, pois, provável seja
o mesmo artista autor dos cunhos das peças de numismáticas fabricadas com a primeira porcelana brasileira.
Marcas de João Manso Pereira (Rio de Janeiro, RJ) de 1793, catalogadas no guia francês “Guide de l’Amateur de Porcelaines et de Fayences”, de E. Zimmerman, já na 13ª edição em 1910, o que comprova seu sucesso no fabrico de porcelana e biscuit já no século 18.
Há ainda um documento manuscrito de 1808, assinado pelo presidente do Real Erário, autorizando a fabricação de cadinhos de louça no Brasil, por João Manso Pereira:
"[...] por constar a boa qualidade dos cadinhos feitos por João Manso Pereira, e
convir muito, que deles se use nas Casas de Fundição dessa capitania. Se ordena
a essa Junta que haja de prestar todo o auxílio necessário à Fábrica dos mesmos
cadinhos por conta da Real Fazenda, debaixo da direção de Dº João Manço Pereira
(sic) de maneira que se aprontem em suficiente quantidade para o uso das Casas
de Fundição."
legenda:
para conhecer as convenções adotadas neste site para datação e identificação de marcas, e do tipo de produto de cada fábrica, consulte esta página, ou posicione o apontador do mouse sobre as letras dentro dos círculos ou quadrados, que a explicação aparecerá.
ATENÇÃO: Este site é o resultado de uma pesquisa pessoal sobre a história da indústria de louça no Brasil, não sou fabricante nem comerciante de porcelana, não tenho ligação ou contatos com nenhuma das marcas apresentadas, ou com qualquer outra indústria cerâmica.